quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Não sei se tinha o direito de fazer isso, mas qualquer coisa postada em seu lugar, não faria o menor sentido. Recebi hoje de uma pessoa querida, @alyson_vilela, achei genial, me emocionei (por ser besta e por apreciar coisas boas) e foi o perfeito encaixe no fim do dia.

     Quem é você?

Quem neste amontoado
de belas lembranças
de bonanças
e de lembranças tortas
que tanto me importa
reconhecer?
                          
Quem é você
que um dia alvoroçado
conheci aberta
pouco alerta
e agora desconfias
na rigidez fria
do não saber?

Quem está aí
que eu não tenha encontrado
na primeira vista
da conquista
Que agora se recusa
por via confusa
a se me abrir?

    Que tem na errata
que não me fora dado
Que num curto instante
delirante
Surgiu em meio ao nada
Deixando parada
a passeata?

Que tens pra nós
que eu não tenha alcançado
Que me possas dar
no lugar
que quedou-se vazio
Tirou do rocio
a doce voz?

Que tens? Que não?
Que me dês de recado
para que eu descubra
na penumbra
dos teus loucos anseios
Que atrás desses seios
há um coração?

    Que faço pois
para que deste enfado
sobrevenha melhor
e maior
encanto de renovo
Para que de novo
sejamos dois?

Quem vens a ser
que eu não tenha aceitado?
Abre pra mim teu peito
e eu te aceito
Não importa o que eu não sei
Eu te aceitarei
Sempre que me diga
quem é você.

www.twitter.com/alyson_vilela

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Das derrotas.

Vamos lá falar do que mais arranha meu coração no momento. Até já postei hoje e fui obrigada a deletar, porque me senti completamente imbecil de me incomodar com certas coisas minúsculas depois das 17hs do dia de hoje.

Primeiramente, é hora de crescer. Não sou acostumada a reprovações. Não que eu seja um super gênio, super inteligente, super esforçada. Nunca fui. Sou um paradoxo. Responsável na minha irresponsabilidade. Tipo assim, deixo tudo pra última hora, mas faço.

Pouco me importa o alto índice de reprovação, muito menos que eu não tenha estudado pra poder fazer uma monografia. Eu poderia estar no índice mínimo de aprovação e ter feito uma monografia de gente normal, com duração de mais de um mês.

E aí, humildemente, reconheço minha fraqueza. É hora de parar de ser menina e ter atitudes de mulher. Fracassar doi e muito. Parece que todas as coisas recém-conquistadas de nada valeram. Mais ou menos como aquela música que diz que das brigas que se ganha, nada se leva; e das brigas que se perde, nunca se esquece.

Esta porrada eu levarei comigo por um bom tempo. Assim como todas as perdas. O lado positivo é colocar os pés no chão, focar no que realmente importa, assumir os erros da irresponsabilidade, tentar de novo e de forma decente. Aprendendo que as coisas que valem a pena custam e muito.

sábado, 27 de novembro de 2010

Leão ferido.

“Como é beijar alguém pensando em outro?”. É horrível. E é assim como me sinto, horrível. Não pelo beijo, muito menos pelo alguém, menos ainda pelo outro, mas por mim.

Leonina que sou, ainda que meio fajuta, gosto da majestade do meu signo. Não tenho essa realeza toda, nem ganância de tê-la. Nunca tive a vaidade de querer ser grande aos olhos dos outros. Prefiro ficar quieta, observando, com meus próprios olhos (grandes), o mundo e seu inferno astral.

O que me atrai mesmo é a figura do leão. Sua imponência, suas formas, sua grandeza. Leão me passa sabedoria. Eles são quietinhos, já notaram? Brincam com seus semelhantes, passam tempos deitados e vagam. A fúria e a força que lhes foram atribuídos emanam de sua essência, do que eles precisam pra sobreviver. Instinto.

Nesse contexto, cabe aqui dizer que eu não acredito em signos e derivados. Mas, já que a gente não nasce sem um, gosto de ser de leão e invejo aqueles que nele se encaixam. Quem me conhece sabe, passo longe!

Então venho aqui dizer que me fiz de leão. Eu não mereço meu signo e sua grandeza. Ainda assim, já que nele eu nasci, decidi ser leão. Assim mesmo, como quem decide pão de caixa ao invés de pão francês. Sou, agora, leão em todas as pequenas coisas, em gestos simples.

E aí vocês me perguntam: sim, e o beijo? Leonina reinventada que sou, eu respondo que beijar alguém pensando em outro é uma grande merda. Mas o que me incomoda mesmo não é o beijo, somos filhos de uma geração que dá beijos insignificantes aqui ou ali.  

O incômodo vem da sensação de meter os pés pelas mãos. Nos últimos dois meses, dei um tropeço no meu projeto autocontrole e me deixei levar por uma coisa que não sei se inventei ou se sinto dessa forma tão avassaladora mesmo. Seja como for, declaro hoje, pós-beijo, que eu não vou me acostumar. Recolho meus cacos perdidos e os junto de novo, um por um.

Não venham aqui criticar meu autocontrole. Algumas vezes na vida a gente precisa não ser impulsiva, não se jogar de cabeça. Fiz isso sempre. Agora não quero mais. Quando me sentir segura e quando for uma coisa natural e recíproca, prometo ser menos leonina. Agora mesmo, fico aqui, filhote de leão com um coração apaixonado (ou inventado?), porém leão. Quero ser protagonista da minha própria história, e não me meter em histórias que não me pertencem.

Assim, pego meu coração machucado, mais pela vida mesmo, não pelo contexto atual, e coloco numa caixinha. Ela é simples de ser aberta. Bem simples. E assim será, só que na hora certa.

“Pri, cuida do teu coração”. Cuido, amigo, prometo!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Desencontros.

“Peço desculpa porque além de contar os fatos também adivinho e o que adivinho aqui escrevo, escrivã que sou por fatalidade. Eu adivinho a realidade.”

Maria gostava de João, que tinha Luísa, mas gostava de Amanda. Com o tempo, Maria se apaixona por Pedro, que também se apaixona por Maria, mas ama Larissa. Acontece que João e Pedro são amigos.

Maria, Pedro e João estão num evento social há muito esperado. O que não se esperava, porém, era o desenrolar desta história. Maria dilacera o coração de Pedro, que não sabe mais o que fazer pra segurar tanto desejo por ela, e João entra num surto de ciúme.

Mas João não gostava de Amanda e tinha Luísa? E Pedro não ama e tem Larissa? Que confusão! É que gente que é gente, assim, humana mesmo, gosta de confusão.

Maria é a rainha da cocada preta mais plebeia que existe, pois nenhum de seus súditos pode ter. João, que poderia ter tido Maria, agora sofre por não ter. E Pedro vive a angústia de querer agarrar Maria loucamente, mas se segura porque tem e ama Larissa.

Historinha esquisita de dia-a-dia. Acontece. Eu conheço diversas Marias e Joãos e Pedros. Não nomeio os bois pra não causar tumulto. E porque, infelizmente, um dia se é Maria, outro se é João, outro se é Pedro...

“Às vezes me dá enjoo de gente. Depois passa e fico de novo toda curiosa e atenta.”

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Sufoco.

Meu coração dispara e as minhas mãos suam. Eu tenho mil coisas pra fazer. Por que diabos eu me sento e sinto essa necessidade incontrolável de escrever? E o quê? E pra quem enfim? É como se cada digitada fosse uma acalmada na alma. Quase ínfima, visto que o coração, inquieto por natureza, assim continua a bombear não só meu sangue, mas todas as minhas angústias.

Tá meio frio. Só posso estar doente, porque aqui nunca é frio. E minha cabeça dói. Existe alguma coisa que comprime minhas veias. E tem esse friozinho na barriga, essa sensação de ansiedade que me consome.

Vou sair daqui porque a internet, ao mesmo tempo em que me traz muita coisa boa, sabe trazer à tona o pior de mim. Esta sou eu querendo consertar o que não tem conserto e querendo extravasar o que trago de mais sufocado.

E vou embora porque, por me conhecer demais, sei que sou melhor sã. E coração apertado, ainda mais sem explicação lógica, implora por filme. Longe do inatingível, das confusões em que me meto, do que tento controlar e é mais forte que eu. E, mesmo não querendo, esta mesma internet me faz ser transparente em tudo que digo, em tudo que escrevo. E transparência é faca de dois gumes: atrai coisas verdadeiras e boas, mas resulta num furacão de conseqüências inimagináveis.

domingo, 10 de outubro de 2010

Era uma vez...

Essa era a voz suave que me fazia adormecer todo final de semana, num quarto escuro, com a luz mais fraca do abajur. Ele arrumava meu ninho da forma mais confortável. A cama era solteirão. O ar condicionado era ligado pouco antes para que eu chegasse já no friozinho gostoso e me empacotasse por entre os lençois e a manta quente e gostosa.

Acordei às 7:00hs do meu sábado para o receber. Voltei à cama e o fiz se instalar nela também. Percebi que ele olhava meu quarto nos mínimos detalhes. Curioso pelos bichos de pelúcia que ele mesmo havia me dado há anos. Havia também a bruxinha pendurada na estante, a caixinha verde com um pássaro de pedra na tampa e todos os livros e filmes que compartilhamos.

Ele esticou minhas pernas e as aconchegou por cima das dele. Começou a alisá-las com as mãos suaves e que eu tanto amo. Baixinho, como num sussurro, começou a contar a história da bruxa malvada que queria ser a mais bonita do reino. E, subitamente, meu coração se encheu de uma segurança como não sentia há tanto tempo. Eu estava no meu ninho e o meu guardião protetor de sonhos estava ali. E de repente esta era eu: pequena, frágil, vulnerável.


Adormeci em poucos minutos. Tive um sono pesado, exatamente como uma criança que não tem problemas e psicopatias adultas para tumultuar o encontro com Morfeu. Depois de anos, somos por alguns minutos pai e filha novamente. Ao acordar, ele tinha saído de fininho, eu estava sozinha. Sozinha e incrivelmente em paz.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Comer, rezar, amar

“Ruin is a gift. Ruin is the road to transformation”.
“Why can’t you just let it be?”

“- Pri, tu é Elizabeth Gilbert”!

Foi ao ouvir isso que eu resolvi pegar o livro, cuja capa rejeitei de cara achando que se tratava de livro de autoajuda (vamos combinar que parece!). Eu estava naquela fase crítica da qual já falei aqui. Larga tudo e começa tudo de novo. Mas, naturalmente, toda mudança traz consigo uma bagagem de incertezas e, mais ainda, de consequencias.

Pois bem, disseram-me esta frase no dia em que decidi e fiz. Dali em diante, o livro me acompanhou por uns bons dias, até que eu retornasse à minha rotina. Hoje, ao ver o filme muitíssimo esperado, me dei conta de que sim, eu sou Elizabeth Gilbert!

Liz é uma mulher que se adaptou aos homens da sua vida. Esta adaptação lhe rendeu relacionamentos muito felizes de início e miseravelmente infelizes de final. Adaptar-se é bom e comum. Adaptar-se demais é perda de identidade.

O fim de quem se perde é o pior dos fins. A gente pega o nosso vazio de sentimento, solta a bomba pra cima do outro e diz: “tchau”. Fui cúmplice de Liz quando ela diz: “Só queria sair de fininho pela porta dos fundos, sem causar alvoroço nem consequencias, e depois só parar de correr quando chegasse na Groenlândia”. E, ainda mais, naquela culpa horrorosa de sufocar um amor verdadeiro. Mas, amor e felicidade devem andar juntos, inevitavelmente.

Assim, Liz pega sua malinha e parte. Destino: Itália. Ah, a Itália! Arrepiei-me nas primeiras cenas da belíssima Roma. Durante toda sua passagem por ela e por Nápoles eu pensei: já estive aí, com minha big mochila e minha linda amiga Carla. Itália encantadora em sua História, em sua arquitetura, em seus monumentos. Os italianos são lindos e charmosos. E vi Liz vivendo, assim como eu vivi. Por entre as ruelas, por entre os pratos deliciosos, conhecendo pessoas maravilhosas, e outras nem tanto. Liz tem a Itália como sua entrega aos prazeres simples e, principalmente, aos seus prazeres, já que, assim como eu (mais uma vez!), desde os 15 anos seu prazer era um relacionamento seguido do outro. Não, Liz, agora é a nossa hora! É a nossa hora de aprender a dizer va’fan’culo a todo o resto!

Eu hoje sou a Liz da Índia, em busca do equilíbrio. É preciso muita coragem pra ser feliz, soltar amarras, aceitar, seguir em frente. Eu e ela diferimos numa coisa porém: eu ainda não encontrei meu Javier Bardem ao som da bossa nova...