sábado, 27 de novembro de 2010

Leão ferido.

“Como é beijar alguém pensando em outro?”. É horrível. E é assim como me sinto, horrível. Não pelo beijo, muito menos pelo alguém, menos ainda pelo outro, mas por mim.

Leonina que sou, ainda que meio fajuta, gosto da majestade do meu signo. Não tenho essa realeza toda, nem ganância de tê-la. Nunca tive a vaidade de querer ser grande aos olhos dos outros. Prefiro ficar quieta, observando, com meus próprios olhos (grandes), o mundo e seu inferno astral.

O que me atrai mesmo é a figura do leão. Sua imponência, suas formas, sua grandeza. Leão me passa sabedoria. Eles são quietinhos, já notaram? Brincam com seus semelhantes, passam tempos deitados e vagam. A fúria e a força que lhes foram atribuídos emanam de sua essência, do que eles precisam pra sobreviver. Instinto.

Nesse contexto, cabe aqui dizer que eu não acredito em signos e derivados. Mas, já que a gente não nasce sem um, gosto de ser de leão e invejo aqueles que nele se encaixam. Quem me conhece sabe, passo longe!

Então venho aqui dizer que me fiz de leão. Eu não mereço meu signo e sua grandeza. Ainda assim, já que nele eu nasci, decidi ser leão. Assim mesmo, como quem decide pão de caixa ao invés de pão francês. Sou, agora, leão em todas as pequenas coisas, em gestos simples.

E aí vocês me perguntam: sim, e o beijo? Leonina reinventada que sou, eu respondo que beijar alguém pensando em outro é uma grande merda. Mas o que me incomoda mesmo não é o beijo, somos filhos de uma geração que dá beijos insignificantes aqui ou ali.  

O incômodo vem da sensação de meter os pés pelas mãos. Nos últimos dois meses, dei um tropeço no meu projeto autocontrole e me deixei levar por uma coisa que não sei se inventei ou se sinto dessa forma tão avassaladora mesmo. Seja como for, declaro hoje, pós-beijo, que eu não vou me acostumar. Recolho meus cacos perdidos e os junto de novo, um por um.

Não venham aqui criticar meu autocontrole. Algumas vezes na vida a gente precisa não ser impulsiva, não se jogar de cabeça. Fiz isso sempre. Agora não quero mais. Quando me sentir segura e quando for uma coisa natural e recíproca, prometo ser menos leonina. Agora mesmo, fico aqui, filhote de leão com um coração apaixonado (ou inventado?), porém leão. Quero ser protagonista da minha própria história, e não me meter em histórias que não me pertencem.

Assim, pego meu coração machucado, mais pela vida mesmo, não pelo contexto atual, e coloco numa caixinha. Ela é simples de ser aberta. Bem simples. E assim será, só que na hora certa.

“Pri, cuida do teu coração”. Cuido, amigo, prometo!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Desencontros.

“Peço desculpa porque além de contar os fatos também adivinho e o que adivinho aqui escrevo, escrivã que sou por fatalidade. Eu adivinho a realidade.”

Maria gostava de João, que tinha Luísa, mas gostava de Amanda. Com o tempo, Maria se apaixona por Pedro, que também se apaixona por Maria, mas ama Larissa. Acontece que João e Pedro são amigos.

Maria, Pedro e João estão num evento social há muito esperado. O que não se esperava, porém, era o desenrolar desta história. Maria dilacera o coração de Pedro, que não sabe mais o que fazer pra segurar tanto desejo por ela, e João entra num surto de ciúme.

Mas João não gostava de Amanda e tinha Luísa? E Pedro não ama e tem Larissa? Que confusão! É que gente que é gente, assim, humana mesmo, gosta de confusão.

Maria é a rainha da cocada preta mais plebeia que existe, pois nenhum de seus súditos pode ter. João, que poderia ter tido Maria, agora sofre por não ter. E Pedro vive a angústia de querer agarrar Maria loucamente, mas se segura porque tem e ama Larissa.

Historinha esquisita de dia-a-dia. Acontece. Eu conheço diversas Marias e Joãos e Pedros. Não nomeio os bois pra não causar tumulto. E porque, infelizmente, um dia se é Maria, outro se é João, outro se é Pedro...

“Às vezes me dá enjoo de gente. Depois passa e fico de novo toda curiosa e atenta.”