domingo, 5 de junho de 2011

22 anos de adolescência

Dia desses, conversando com uma amiga de longas datas, fiz uma observação bem, digamos, pertinente: quando éramos adolescentes, tudo era mais fácil.

Sei que ser adolescente é vivenciar um turbilhão de coisas e agir nem como criança, nem como adulto. Ou talvez como uma criançona dando uma de adulto. Ou talvez como um adulto se comportando como uma criança mimada. Enfim...

O comentário partiu do pressuposto de que nós, quando adolescentes, tivemos aquele amor platônico. Então estávamos lá, morrendo de amores por quem nem sonhava que passávamos, no mínimo, 30 minutos nos arrumando só pra que ele passasse alguns segundos na nossa frente e não desse a mínima para cabelos, unhas, maquiagens, etc.

Mas, ainda assim, morríamos de felicidade quando ganhávamos um oi, um sorriso, um tchau. E contávamos pras nossas amigas como se fosse a melhor coisa do universo.

Depois, a gente vive o primeiro amor de verdade. Acompanhado de beijos de verdade, de carinhos de verdade, de palavras, de gestos, de coisinhas bonitinhas. Ou nem tão bonitinhas. Na época, não tínhamos capacidade mental pra discernir.

Quando esse amor acaba, parece que o mundo cai. Mas, a gente sobrevive e, olha só, ama de novo! Ama sem medo, sem ressalvas, sem "se a gente for rápido demais, não vai dar certo".

A fórmula da adolescência é viver intensamente. Adolescente não carrega mágoas, nem dores, nem traumas de amores passados. Eles são vivos e apressados demais pra isso. Adolescente não tem pé atrás. Pelo contrário, vai com os dois pés, a cabeça, os braços e o corpo inteiro. E o coração vai na frente de tudo isso.

Por que a gente virou adulto e esqueceu que amar não é prisão? Adulto diz: "ah, não vou namorar agora. Tá muito cedo. Preciso de um tempo pra ajeitar isso, isso e isso". Adulto demora a cicatrizar feridas. A verdade é que adulto sente um certo prazer em carregá-las consigo.

Fico com os beijos roubados da minha adolescência. Prefiro-os àqueles meticulosamente calculados. Adorava receber sms a qualquer hora da noite. Adulto não manda de madrugada, porque acordar o outro a essa hora é absurdo. Lembro da sensação de receber um eu te amo sincero e cedo demais. Adulto demora alguns meses pra amar.

Caros leitores, tenho a leve impressão de que "adulteci" com minha intensidade adolescente. Sou uma pseudoadulta lidando com adultos plenamente "adultecidos", suas complexidades, seus tempos, seus medos (disfarçados, muitas vezes, pela palavra cuidado) e sua bagagem de coisa ruim dos seus relacionamentos fracassados.

Acho que só me resta "adultecer" de vez.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Pensamentos cariocas

A vida tem a tendência de pregar peças em todas as minhas certezas.

Numa hora, eu tinha uma melhor amiga. Meses depois, ela me odiava com todas as forças do universo.

Noutro dia, eu sofria horrores a dor de uma traição e a inundação de mentiras que eram jogadas na minha cara. Minha amiga Rayssa e eu estávamos ali, jurando uma à outra que seguraríamos nossas mãos e nos esconderíamos no banheiro caso precisássemos chorar. Alguns poucos meses depois, estávamos soltas na buraqueira em Porto Seguro, rindo do nosso sofrimento hiperbólico.

Naquele outro dia, minha mãe me olhou da cabeça aos pés e disse: “filha, se arrume mais um pouquinho. Coloque uma pulseirinha, um batom”. Não me dei conta de que tudo se tratava de um plano materno pra que eu conhecesse o filho de fulano. Ou, como no caso, o primo de fulano. Mães e suas manias. E fulano, pra mim, era irritante. Por teimosia, conversei a noite toda com o fulano, e não com seu primo. 2 semanas depois, eu e fulano estávamos namorando.

Meses depois, fulano tirou meu chão e voltou pra ex. Depois, eu estava no Paraguai usando minha identidade falsa, falando meu portunhol bem elaborado, vivendo a gostosa sensação de viajar só com amigas e sentindo aquela coisa inominada que se sente ao perceber que a gente passou da fase do “vou morrer sofrendo por ele” pra de “vou morrer de viver, mesmo sem ele”.

Naquela segunda-feira, eu olhava despretensiosamente sites de intercâmbio. Alguns meses após, estava em Londres estudando a língua que amo, conhecendo pessoas incríveis, comendo pão com chocolate e reconhecendo meu lado curioso e aventureiro enquanto me perdia pelas ruas da cidade.

Isso serviu para me tornar teacher. E, posteriormente, para virar Elizabeth Gilbert e jogar emprego e namoro pro ar. Era preciso.

Formei-me. Virei advogada. Entreguei-me à maravilhosa sensação de subir num tablado (nosso palco) e de me tornar aprendiz de atriz.
 
O que o Rio tem a ver com isso tudo? Numa noite de maio, sentada numa balsa entre Rio e Niterói, de mãos dadas, toda essa trajetória mutante me veio à cabeça. Entre luzes, barulhos, cheiros e águas cariocas, pela primeira vez na vida, eu não quis ter certeza. E estava feliz. Extremamente feliz.