segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Comer, rezar, amar

“Ruin is a gift. Ruin is the road to transformation”.
“Why can’t you just let it be?”

“- Pri, tu é Elizabeth Gilbert”!

Foi ao ouvir isso que eu resolvi pegar o livro, cuja capa rejeitei de cara achando que se tratava de livro de autoajuda (vamos combinar que parece!). Eu estava naquela fase crítica da qual já falei aqui. Larga tudo e começa tudo de novo. Mas, naturalmente, toda mudança traz consigo uma bagagem de incertezas e, mais ainda, de consequencias.

Pois bem, disseram-me esta frase no dia em que decidi e fiz. Dali em diante, o livro me acompanhou por uns bons dias, até que eu retornasse à minha rotina. Hoje, ao ver o filme muitíssimo esperado, me dei conta de que sim, eu sou Elizabeth Gilbert!

Liz é uma mulher que se adaptou aos homens da sua vida. Esta adaptação lhe rendeu relacionamentos muito felizes de início e miseravelmente infelizes de final. Adaptar-se é bom e comum. Adaptar-se demais é perda de identidade.

O fim de quem se perde é o pior dos fins. A gente pega o nosso vazio de sentimento, solta a bomba pra cima do outro e diz: “tchau”. Fui cúmplice de Liz quando ela diz: “Só queria sair de fininho pela porta dos fundos, sem causar alvoroço nem consequencias, e depois só parar de correr quando chegasse na Groenlândia”. E, ainda mais, naquela culpa horrorosa de sufocar um amor verdadeiro. Mas, amor e felicidade devem andar juntos, inevitavelmente.

Assim, Liz pega sua malinha e parte. Destino: Itália. Ah, a Itália! Arrepiei-me nas primeiras cenas da belíssima Roma. Durante toda sua passagem por ela e por Nápoles eu pensei: já estive aí, com minha big mochila e minha linda amiga Carla. Itália encantadora em sua História, em sua arquitetura, em seus monumentos. Os italianos são lindos e charmosos. E vi Liz vivendo, assim como eu vivi. Por entre as ruelas, por entre os pratos deliciosos, conhecendo pessoas maravilhosas, e outras nem tanto. Liz tem a Itália como sua entrega aos prazeres simples e, principalmente, aos seus prazeres, já que, assim como eu (mais uma vez!), desde os 15 anos seu prazer era um relacionamento seguido do outro. Não, Liz, agora é a nossa hora! É a nossa hora de aprender a dizer va’fan’culo a todo o resto!

Eu hoje sou a Liz da Índia, em busca do equilíbrio. É preciso muita coragem pra ser feliz, soltar amarras, aceitar, seguir em frente. Eu e ela diferimos numa coisa porém: eu ainda não encontrei meu Javier Bardem ao som da bossa nova...



6 comentários:

Anônimo disse...

A estória do livro que agora virou filme parece interessante mesmo, você é a terceira pessoa que ouvi dizer ter gostado e como você tem bom gosto... Ainda quero conferir o livro.

Priscilla disse...

Moa, a estória é muito humana. Simples, longe de um clássico literário. Mas leve e muito, muito humano. Boa leitura! E obrigada pelo bom gosto :)

Eder Barbosa de Melo disse...

Não li o livro, mas todo mundo fala que é interessante. O que é melhor, ler primeiro ou conferir a Julia Roberts no filme? Até!

Priscilla disse...

Ora, depende. É melhor leitor ou cinéfilo? Os dois transmitem a mesma coisa, mas não necessariamente de formas idênticas. Fica a seu critério o que mais lhe dá prazer. Ambos são gostosíssimos de acompanhar.

Eder Barbosa de Melo disse...

Melhor leitor ou cinéfilo? Xi agora você me pegou...

Kamyla disse...

"A gente pega o nosso vazio de sentimento, solta a bomba pra cima do outro e diz: “tchau”. (...) E, ainda mais, naquela culpa horrorosa de sufocar um amor verdadeiro."

Às vezes, somos obrigados a sufocar o amor... =/

O livro parece muito bom... Não tive tempo pra ler ainda, mas vou assistir o filme no final de semana. :)

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