Essa era a voz suave que me fazia adormecer todo final de semana, num quarto escuro, com a luz mais fraca do abajur. Ele arrumava meu ninho da forma mais confortável. A cama era solteirão. O ar condicionado era ligado pouco antes para que eu chegasse já no friozinho gostoso e me empacotasse por entre os lençois e a manta quente e gostosa.
Acordei às 7:00hs do meu sábado para o receber. Voltei à cama e o fiz se instalar nela também. Percebi que ele olhava meu quarto nos mínimos detalhes. Curioso pelos bichos de pelúcia que ele mesmo havia me dado há anos. Havia também a bruxinha pendurada na estante, a caixinha verde com um pássaro de pedra na tampa e todos os livros e filmes que compartilhamos.
Ele esticou minhas pernas e as aconchegou por cima das dele. Começou a alisá-las com as mãos suaves e que eu tanto amo. Baixinho, como num sussurro, começou a contar a história da bruxa malvada que queria ser a mais bonita do reino. E, subitamente, meu coração se encheu de uma segurança como não sentia há tanto tempo. Eu estava no meu ninho e o meu guardião protetor de sonhos estava ali. E de repente esta era eu: pequena, frágil, vulnerável.
Adormeci em poucos minutos. Tive um sono pesado, exatamente como uma criança que não tem problemas e psicopatias adultas para tumultuar o encontro com Morfeu. Depois de anos, somos por alguns minutos pai e filha novamente. Ao acordar, ele tinha saído de fininho, eu estava sozinha. Sozinha e incrivelmente em paz.
2 comentários:
que lindo! *.*
Olá Priscila! Menina inspirada...
Lindo post. Gostei! Por isso estou te seguindo, se desejar pode me visitar. Será muito bem vinda.
Um abraço!
www.mrp1313.blogspot.com/
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