terça-feira, 19 de outubro de 2010

Sufoco.

Meu coração dispara e as minhas mãos suam. Eu tenho mil coisas pra fazer. Por que diabos eu me sento e sinto essa necessidade incontrolável de escrever? E o quê? E pra quem enfim? É como se cada digitada fosse uma acalmada na alma. Quase ínfima, visto que o coração, inquieto por natureza, assim continua a bombear não só meu sangue, mas todas as minhas angústias.

Tá meio frio. Só posso estar doente, porque aqui nunca é frio. E minha cabeça dói. Existe alguma coisa que comprime minhas veias. E tem esse friozinho na barriga, essa sensação de ansiedade que me consome.

Vou sair daqui porque a internet, ao mesmo tempo em que me traz muita coisa boa, sabe trazer à tona o pior de mim. Esta sou eu querendo consertar o que não tem conserto e querendo extravasar o que trago de mais sufocado.

E vou embora porque, por me conhecer demais, sei que sou melhor sã. E coração apertado, ainda mais sem explicação lógica, implora por filme. Longe do inatingível, das confusões em que me meto, do que tento controlar e é mais forte que eu. E, mesmo não querendo, esta mesma internet me faz ser transparente em tudo que digo, em tudo que escrevo. E transparência é faca de dois gumes: atrai coisas verdadeiras e boas, mas resulta num furacão de conseqüências inimagináveis.

domingo, 10 de outubro de 2010

Era uma vez...

Essa era a voz suave que me fazia adormecer todo final de semana, num quarto escuro, com a luz mais fraca do abajur. Ele arrumava meu ninho da forma mais confortável. A cama era solteirão. O ar condicionado era ligado pouco antes para que eu chegasse já no friozinho gostoso e me empacotasse por entre os lençois e a manta quente e gostosa.

Acordei às 7:00hs do meu sábado para o receber. Voltei à cama e o fiz se instalar nela também. Percebi que ele olhava meu quarto nos mínimos detalhes. Curioso pelos bichos de pelúcia que ele mesmo havia me dado há anos. Havia também a bruxinha pendurada na estante, a caixinha verde com um pássaro de pedra na tampa e todos os livros e filmes que compartilhamos.

Ele esticou minhas pernas e as aconchegou por cima das dele. Começou a alisá-las com as mãos suaves e que eu tanto amo. Baixinho, como num sussurro, começou a contar a história da bruxa malvada que queria ser a mais bonita do reino. E, subitamente, meu coração se encheu de uma segurança como não sentia há tanto tempo. Eu estava no meu ninho e o meu guardião protetor de sonhos estava ali. E de repente esta era eu: pequena, frágil, vulnerável.


Adormeci em poucos minutos. Tive um sono pesado, exatamente como uma criança que não tem problemas e psicopatias adultas para tumultuar o encontro com Morfeu. Depois de anos, somos por alguns minutos pai e filha novamente. Ao acordar, ele tinha saído de fininho, eu estava sozinha. Sozinha e incrivelmente em paz.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Comer, rezar, amar

“Ruin is a gift. Ruin is the road to transformation”.
“Why can’t you just let it be?”

“- Pri, tu é Elizabeth Gilbert”!

Foi ao ouvir isso que eu resolvi pegar o livro, cuja capa rejeitei de cara achando que se tratava de livro de autoajuda (vamos combinar que parece!). Eu estava naquela fase crítica da qual já falei aqui. Larga tudo e começa tudo de novo. Mas, naturalmente, toda mudança traz consigo uma bagagem de incertezas e, mais ainda, de consequencias.

Pois bem, disseram-me esta frase no dia em que decidi e fiz. Dali em diante, o livro me acompanhou por uns bons dias, até que eu retornasse à minha rotina. Hoje, ao ver o filme muitíssimo esperado, me dei conta de que sim, eu sou Elizabeth Gilbert!

Liz é uma mulher que se adaptou aos homens da sua vida. Esta adaptação lhe rendeu relacionamentos muito felizes de início e miseravelmente infelizes de final. Adaptar-se é bom e comum. Adaptar-se demais é perda de identidade.

O fim de quem se perde é o pior dos fins. A gente pega o nosso vazio de sentimento, solta a bomba pra cima do outro e diz: “tchau”. Fui cúmplice de Liz quando ela diz: “Só queria sair de fininho pela porta dos fundos, sem causar alvoroço nem consequencias, e depois só parar de correr quando chegasse na Groenlândia”. E, ainda mais, naquela culpa horrorosa de sufocar um amor verdadeiro. Mas, amor e felicidade devem andar juntos, inevitavelmente.

Assim, Liz pega sua malinha e parte. Destino: Itália. Ah, a Itália! Arrepiei-me nas primeiras cenas da belíssima Roma. Durante toda sua passagem por ela e por Nápoles eu pensei: já estive aí, com minha big mochila e minha linda amiga Carla. Itália encantadora em sua História, em sua arquitetura, em seus monumentos. Os italianos são lindos e charmosos. E vi Liz vivendo, assim como eu vivi. Por entre as ruelas, por entre os pratos deliciosos, conhecendo pessoas maravilhosas, e outras nem tanto. Liz tem a Itália como sua entrega aos prazeres simples e, principalmente, aos seus prazeres, já que, assim como eu (mais uma vez!), desde os 15 anos seu prazer era um relacionamento seguido do outro. Não, Liz, agora é a nossa hora! É a nossa hora de aprender a dizer va’fan’culo a todo o resto!

Eu hoje sou a Liz da Índia, em busca do equilíbrio. É preciso muita coragem pra ser feliz, soltar amarras, aceitar, seguir em frente. Eu e ela diferimos numa coisa porém: eu ainda não encontrei meu Javier Bardem ao som da bossa nova...