quinta-feira, 14 de julho de 2011

Reencontro

Antes, teu andar era como boa notícia, bons ventos calmos chegando, alívio pra alma. Agora é desconserto, levantando uma poeira invisível do que ficou pra trás. Esse andar que outrora trazia sorrisos, hoje traz silêncio. E em silêncio ficamos.

A gente comia e bebia de forma descontraída, tirando de dentro o peso do dia estressante. Não precisava de muita coisa, nunca precisou. Éramos nós, o vinho, o papo leve, os braços que se encontravam, as bocas que se buscavam, a afinidade gritante. Quem são, agora, esses dois desconhecidos que sentam à mesa com modos, etiqueta, sem olhos nos olhos, sem sorrisos desimportantes? Viramos pessoas sociais.

O que aconteceu com aquele que, só em aparecer, despertava em mim assuntos dos mais diversos? Nunca 3, 4 horas seguidas eram suficientes como companhia. “Mas já?! Ainda são 4:30 da manhã!”. Minha euforia virou timidez. Minha timidez fez com que, em algumas poucas horas sentados numa mesa, rodeados de gente, me pegasse desviando o olhar constantemente. Afinal, a não ser que se esteja paquerando, quem olha pra um estranho diversas vezes numa mesa?

E é isso mesmo que somos. Duas vidas apartadas. Soneto de separação de Vinicius de Morais. Estranhos. Completamente estranhos.

sábado, 2 de julho de 2011

Turning tables

Ela já esteve nesse lugar antes. Não uma vez, mas um número considerável para seus anos de vida. Aquela linha imaginária entre o adeus e a estaca zero. Partir não é bem uma opção, não é um querer, é o jeito.

Esse lugar que é escuro e desesperador. Todas as forças foram gastas dias a fio num amor tão batalhado, tão sofrido, tão difícil, que só lhe restam cacos. É o lugar onde nada faz sentido.

Respirar dói como nunca. O ar que entra rasga todo pedacinho machucado: a língua do eu te amo; o nó da garganta; a pulsação fraca, quase sem vida; o coração atropelado; o pulmão vazio. O ar que sai leva resquícios de um corpo quase inerte: a dor paralisa.

Desistência é o nome. Desistir é a morte do amor fraco, o fracasso da luta vã. É dar adeus ao que não foi e tinha tudo para ser. É pegar uma caixinha invisível e guardar todas as lembranças de momentos mais que felizes, diria perfeitos ou divinos. É abrir mão: toma meu amor, mundo, e carrega.

Alguém, por favor, a lembre de que isso passa. Passa como sempre passou. Digam-na que é impossível enxergar agora, mas que o tempo cuida disso. Mostrem-na que existe um mundo de possibilidades bem à sua frente e que não é só preciso ver, mas deixar acontecer. Façam-na relembrar de tempos passados e felizes, de amores simples e verdadeiros, de sacrifícios mútuos, de pessoas que enfrentam distância, tempo, razão e dissabores pelo tal do amor.

Porque, digo-lhes sinceramente, não tá dando. Esse sofrimento tão clichê precisa de um final clichê. Urgentemente.