Antes, teu andar era como boa notícia, bons ventos calmos chegando, alívio pra alma. Agora é desconserto, levantando uma poeira invisível do que ficou pra trás. Esse andar que outrora trazia sorrisos, hoje traz silêncio. E em silêncio ficamos.
A gente comia e bebia de forma descontraída, tirando de dentro o peso do dia estressante. Não precisava de muita coisa, nunca precisou. Éramos nós, o vinho, o papo leve, os braços que se encontravam, as bocas que se buscavam, a afinidade gritante. Quem são, agora, esses dois desconhecidos que sentam à mesa com modos, etiqueta, sem olhos nos olhos, sem sorrisos desimportantes? Viramos pessoas sociais.
O que aconteceu com aquele que, só em aparecer, despertava em mim assuntos dos mais diversos? Nunca 3, 4 horas seguidas eram suficientes como companhia. “Mas já?! Ainda são 4:30 da manhã!”. Minha euforia virou timidez. Minha timidez fez com que, em algumas poucas horas sentados numa mesa, rodeados de gente, me pegasse desviando o olhar constantemente. Afinal, a não ser que se esteja paquerando, quem olha pra um estranho diversas vezes numa mesa?
E é isso mesmo que somos. Duas vidas apartadas. Soneto de separação de Vinicius de Morais. Estranhos. Completamente estranhos.