segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Cartilha

Toda escolha traz consigo uma desescolha (sim, eu inventei essa palavra). Se você escolhe um Mc Donald’s, está abrindo mão da frutinha saudável. Ao escolher o desconhecido ir embora, abre-se mão do conhecido ficar. Comprar e ter a coisa ou não comprar e ter o dinheiro?

Nem sempre é tão simples como ir à padaria ou ao supermercado. Mas é certo que até as escolhas mais involuntárias, aquelas que a gente nem se toca de que são escolhas, têm o outro lado da moeda, a tal da desescolha.

Pra complicar, fora as nossas escolhas, há aquelas alheias que influenciam em nossas vidas. Partindo pra praticidade da coisa, a sua escolha de não me amar (que eu bem sei não se trata de uma escolha) implica em você abrindo mão de mim.

Horas a menos de sua presença. Horas que eu preencho com o paraíso natural da Pipa. Depois, por entre os confetes e serpentinas carnavalescos das Virgens de Tambaú e das Muriçocas do Miramar. Depois, espalho meus pedaços gritantes por entre as ladeiras de Olinda. E me entrego à vida, porque a você não posso me entregar.

A escolha do não-amar é a desescolha de se esvair todos os dias um pouquinho, conseguindo ser mais forte do que seus cheiros, o barulho da sua risada e o companheirismo que vão se perdendo durante os dias vagos. E a vida é exatamente isso: esse eterno passar de escolhas e pessoas, de sentimentos e avessos, de tropeços e saltos.

Eu aprendo. Ainda aprendo.

Um comentário:

Rayssa. disse...

"Dá vontade de sacudir e dizer: deixa de ser burro!" eu disse isso a alguém esses dias, e é triste alguém ter que ser sacudido pra ver o que tá na cara.
Lindo, amiga. Como sempre.
beijo. =*

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