sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Eu te amos.

Eu observava seu jeito livre de falar tudo de forma engraçada e com uma pitadinha de ironia. Um charme, vale salientar. Acho que foi a primeira vez que o vi tão solto. Eu o vi se libertando de coisas que pareciam estar presas, esperando algum momento pra sair, como se existisse momento certo pra essas coisas. E eu ria boba, torcendo pra que a madrugada não acabasse. “Eu te amo, Pri”.

Você deitado no meu colo, doentinho, frágil, lindo ainda assim. Quanto tempo fazia que você estava em meu colo? Alguns minutos ou algumas eternidades? Eu alisava seus cabelos e tocava sua pele como quem dedilha um instrumento. Dos meus dedos não saiam som algum, mas dentro de mim uma melodia suave se fazia presente. Acariciava seus braços e deixava que minha mão se esparramasse por seu peitoral acolhedor. E beijava seus lábios gostosos, deixando que eles me invadissem por inteira. Depois você me olhou nos olhos e disse: “te amo”.

Deitada de mau jeito, como sempre, ainda com a roupa do trabalho, sentindo-me como se tivesse 88 anos, alcanço alguns rabiscos que fiz durante o dia. Penso em você porque, na verdade, isso já virou uma constante. Eu o procurei e nada. Então, resolvi falar de você pra preencher alguns pedacinhos minúsculos de saudade. É que eu inventei uma técnica de me aproximar de você em pensamento. Falo em você, penso em você, lembro de você, até que consigo sentir você. Freud explica. E aí recebo: “amo muito você, sabia?”.

Mas, afinal, o que é eu te amo? Meu eu te amo é diferente do teu eu te amo. Nenhum eu te amo é igual, decidi isso. Existe eu te amo depois (ou durante) uma transa. Existe eu te amo acordando, ou antes de dormir. Existe eu te amo que carrega consigo coisas várias, como linda, gostosa, olhares, bocas, peitos e bundas. Existe eu te amo que traz admiração, força, carinho e cuidado. Existe eu te amo que quer dizer saudade. Existe eu te amo que quer dizer tchau. Não mensuro. Não questiono. A única certeza que tenho é a de que a incerteza do amor vale a pena.

Um comentário:

Bárbara disse...

Texto lindo, Pri! Parabéns!

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