Inteiro. Adj. 1. Completo 2. Que tem todas as suas partes.
Essa coisa de ser inteira doi. Doi pra caralho. Para que me entendam, ser inteira não significa não ser flexível. Sou flexível, sou sensível, sei perdoar. Perdôo de verdade e com todo o meu coração. Sou capaz de compreender e ser racional, mesmo quando minha alma se contorce e se sufoca. Acontece que meios termos, coisas mornas, não me atraem. E passional como sou, vivo o que me atrai completamente, de todas as formas, inteiramente.
Assim, como a dor da primeira frase, sou amiga pra caralho. Caso contrário, sou colega. Ou nada. Se amo, amo com toda a imensidão deste verbo. Incondicionalmente, ou seja, em qualquer circunstância, seja como for. Se fui professora, assim me comportei nos mínimos detalhes. Do preparar da aula ao corrigir de exercícios, da responsabilidade de ser educadora à sensibilidade de ser amiga. Quando começaram a tolher meu trabalho e tive que ser complacente com certas práticas que não condizem com o que acredito, tudo foi murchando, ao ponto de trabalhar se tornar uma angústia.
Em todos os sentidos da vida, em tudo que me tem, esta sou eu. Nestas circunstâncias, resta perguntar: o que acontece quando se vive uma coisa que não me permite ser inteira? O que fazer quando as coisas vão murchando aos poucos, não porque quero, mas porque é inevitável não sentir? Entender e concordar deveriam ser suficientes pra que tudo continuasse como está, mas, quando isso fere a minha natureza, como me renegar?
Cruz e espada. Sinuca de bico. O amor que existe, que cresce, que faz parte do dia-a-dia, sentido por dois seres humanos complexos (pleonasmo?) e inversamente proporcionais neste sentir. Eu, vulcão. Ele, razão. Eu, inteira. Ele, conflituoso. Com tudo mais, a solução se encontra bem ali, na minha frente. Mas o que fazer quando se trata de amor e de diferentes naturezas? Pior, o que fazer quando se entende a racionalidade das coisas, mas isso não é suficiente para não senti-las se esvaindo?