No vazio de domingo é que as coisas são verdadeiramente sentidas. Como já tinha vivido aquela coisa de amar muito e ser tudo recíproco, sabia que com pouco não podia se contentar.
No dia anterior, decidiu do nada dizer a ele que não dava mais. Como não dava? Não dava, oras. Coisa mais absurda, pra quem um dia viveu um romance de tirar o fôlego, ficar com migalhas de uma coisa tão frágil e com tempo de vida contado. Era melhor cortar pelo pé, ela sabia.
Mas onde diabos se agarrar? É verdade que, ainda bem, existem amigos e bares e festas. Entretanto, hoje é domingo e este não se alimenta de vida social. O domingo é a porrada da verdade: amanhã é segunda-feira e a vida real é isso.
Foi neste domingo que ela sentiu o som de “cri, cri, cri”. O celular sequer deu sinal de vida. Zero vontade de sair. Falta dele? Sim. E o que se pode fazer? Nada.
Ele está lá cumprindo com seu papel de domingo. Talvez a praia de sempre, talvez um dia em família. Ela espana a poeira da alma. Lembra das risadas que arrancou, dos momentos light que passaram juntos, das coisas compartilhadas, da vontade crescente de um abraço, de um cheiro na nuca, de beijinhos o tempo todo.
É assim que se começa, ela sabe. E antes que vire um sentimento traiçoeiro e com vida própria (sim, eles dominam as pessoas), foi preciso cortar o mal (ou bem?) pela raiz. Era preciso.
O que mata mesmo é o tal do domingo.
2 comentários:
Então tá... pro domingo: "nossa, nossa, assim voce me mata!" kkkkk
Não podia perder a piada, Pri!
Mas enfim, o domingo potencializa algumas coisas, inclusive certas decisoes e suas consequencias.
Te amo! =*
Amei o texto! *-*
Realmente é o domingo que "mata"... =/
Domingo é "dia de estar junto", fazendo algo light (pq amanhã é segunda e não dá pra ir pra balada e ficar lá com as amigas até amanhecer)... Domingo é dia de assistir filme com ele...
No domingo todo mundo se sente mais só...
No domingo todo mundo queria alguém por perto...
"No vazio de domingo é que as coisas são verdadeiramente sentidas."
Postar um comentário