Estaria ansiosíssima. Minhas mãos suariam. Meu coração estaria naquele batuque de vários ritmos. E sorriria ‘bobamente’ (eu invento palavras. Essa parte é presente do indicativo). Estaria feliz. Meus pezinhos balançariam o tempo inteiro. Aquela velhinha iria notar e dizer que eu era nervosa. Seria o melhor nervosismo do mundo.
Chegaria feliz. Rezaria (pra quem?) pra que a mala chegasse logo, logo. E correria disfarçadamente, com passos ligeiros. E, ao te ver, meu sorriso não caberia em mim (dessa parte, eu tenho certeza absoluta). E teria uma vontade absurda de vomitar meu coração de tão pela boca que ele estaria.
E te abraçaria muito e forte, de forma a conter toda a minha felicidade num encontro de braços e costas e peitos. Dar-te-ia um beijo na bochecha demorado e nele depositaria todo o meu carinho contido. Respiraria fundo pra colocar meu coração em seu lugar devido (saia da minha boca já!) e te sorriria sempre (este eu não sei controlar).
Morderia meus lábios sorrindo, do meu jeito nervoso. E deixaria que o que tivesse de acontecer, acontecesse, sem medidas, como uma criança que, ao pegar na mão adulta, confiaria e se deixaria levar.
Este seria meu final feliz inventado. Seria, conjugado no futuro do pretérito do indicativo, como os demais verbos. A minha realidade, porém, é o não ser, a angústia do não saber e do não mais querer. Minha felicidade inventada era tão melhor que minha crua realidade. Não ser é vazio. Não saber é torturante. Não mais querer é a morte de tudo.
Fecha-se o livro do conto romântico e encara-se a vida e suas incontáveis possibilidades. Tudo o mais, não me importa mais.
2 comentários:
Caralho :T
Quando eu escrevo, tu diz que te descrevo. Pois senti isso agora, só que no sentido inverso. Estou descrita aí.
Amo! ;**
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