sábado, 11 de dezembro de 2010

Futuro do pretérito do indicativo

 
"Sofre horrores, mas continua do bem...sempre inventando histórias com final feliz."

Estaria ansiosíssima. Minhas mãos suariam. Meu coração estaria naquele batuque de vários ritmos. E sorriria ‘bobamente’ (eu invento palavras. Essa parte é presente do indicativo). Estaria feliz. Meus pezinhos balançariam o tempo inteiro. Aquela velhinha iria notar e dizer que eu era nervosa. Seria o melhor nervosismo do mundo.

Chegaria feliz. Rezaria (pra quem?) pra que a mala chegasse logo, logo. E correria disfarçadamente, com passos ligeiros. E, ao te ver, meu sorriso não caberia em mim (dessa parte, eu tenho certeza absoluta). E teria uma vontade absurda de vomitar meu coração de tão pela boca que ele estaria.

E te abraçaria muito e forte, de forma a conter toda a minha felicidade num encontro de braços e costas e peitos. Dar-te-ia um beijo na bochecha demorado e nele depositaria todo o meu carinho contido. Respiraria fundo pra colocar meu coração em seu lugar devido (saia da minha boca já!) e te sorriria sempre (este eu não sei controlar).

Morderia meus lábios sorrindo, do meu jeito nervoso. E deixaria que o que tivesse de acontecer, acontecesse, sem medidas, como uma criança que, ao pegar na mão adulta, confiaria e se deixaria levar.

Este seria meu final feliz inventado. Seria, conjugado no futuro do pretérito do indicativo, como os demais verbos. A minha realidade, porém, é o não ser, a angústia do não saber e do não mais querer. Minha felicidade inventada era tão melhor que minha crua realidade. Não ser é vazio. Não saber é torturante. Não mais querer é a morte de tudo.

Fecha-se o livro do conto romântico e encara-se a vida e suas incontáveis possibilidades. Tudo o mais, não me importa mais.

2 comentários:

... disse...

Caralho :T

Rayssa. disse...

Quando eu escrevo, tu diz que te descrevo. Pois senti isso agora, só que no sentido inverso. Estou descrita aí.

Amo! ;**

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