sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Reflexos de natal

Aquele senhor sente todos os pesos do mundo no dia de natal. São pessoas que convivem com a miséria, a fome, a dor de trabalhar tanto e lutar tanto, apenas por um pouco de feijão com arroz. E também há a lembrança. Esta maldita que faz com que todos os natais, outrora iluminados e felizes e cantantes, perdurem em sua mente como resquícios daqueles que já foram e deixaram seu mundo infinitamente menor. Nostálgico e triste, profundamente triste.

Aquela menina vai noivar. Um natal iluminado. Família reunida e muito amor. Amor aflorando em todos os mínimos detalhes. Do sorriso sincero à troca de alianças. Olhares de um futuro promissor. Natal de esperança e união.

Aquele rapaz se descobriu doente. De repente, viu-se frágil e pequeno diante da vida. Talvez árvores, enfeites e luzes não façam o menor sentido, não tenham a mínima graça. Deus então, melhor não falar. Apenas pessoas, amigos, família e carinho. Sentimento de pequenez. Vida por um fio. Natal pequeno.

Aquela mulher está amando. Tem os três filhos em casa na noite de hoje. O homem que ama e os filhos. Alívio e completude. Comida farta. Certeza de uma vida cada vez melhor, resultado de quem não se conformou com pouco e lutou pra ser feliz. Natal do jeito que sempre quis.

Aquela outra menina sente saudade. O natal é meio triste, meio vazio. Entretanto, ela não sabe ser triste. Luta contra a saudade e a dor da perda para aceitar que isso é viver. Agarra-se ao que tem. É forte, lúcida, linda de se ver. Carrega consigo a bondade de uma criança e a capacidade de conquistar em segundos. Natal saudoso, de aperto no coração, mas ainda assim natal.

Já Priscilla, não muito fã da data e não religiosa, senta-se para escrever que, entre os sabores e dissabores dos que a rodeiam, quer mesmo muitos momentos simples e de felicidade. O que vale mesmo é tentar sempre, ajudar sempre e aprender a seguir em frente sempre. Amor a todos vocês. Amor em todos os sentidos.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Sobre ser inteira

Inteiro. Adj. 1. Completo 2. Que tem todas as suas partes.

Essa coisa de ser inteira doi. Doi pra caralho. Para que me entendam, ser inteira não significa não ser flexível. Sou flexível, sou sensível, sei perdoar. Perdôo de verdade e com todo o meu coração. Sou capaz de compreender e ser racional, mesmo quando minha alma se contorce e se sufoca. Acontece que meios termos, coisas mornas, não me atraem. E passional como sou, vivo o que me atrai completamente, de todas as formas, inteiramente.

Assim, como a dor da primeira frase, sou amiga pra caralho. Caso contrário, sou colega. Ou nada. Se amo, amo com toda a imensidão deste verbo. Incondicionalmente, ou seja, em qualquer circunstância, seja como for. Se fui professora, assim me comportei nos mínimos detalhes. Do preparar da aula ao corrigir de exercícios, da responsabilidade de ser educadora à sensibilidade de ser amiga. Quando começaram a tolher meu trabalho e tive que ser complacente com certas práticas que não condizem com o que acredito, tudo foi murchando, ao ponto de trabalhar se tornar uma angústia.

Em todos os sentidos da vida, em tudo que me tem, esta sou eu. Nestas circunstâncias, resta perguntar: o que acontece quando se vive uma coisa que não me permite ser inteira? O que fazer quando as coisas vão murchando aos poucos, não porque quero, mas porque é inevitável não sentir? Entender e concordar deveriam ser suficientes pra que tudo continuasse como está, mas, quando isso fere a minha natureza, como me renegar?

Cruz e espada. Sinuca de bico. O amor que existe, que cresce, que faz parte do dia-a-dia, sentido por dois seres humanos complexos (pleonasmo?) e inversamente proporcionais neste sentir. Eu, vulcão. Ele, razão. Eu, inteira. Ele, conflituoso. Com tudo mais, a solução se encontra bem ali, na minha frente. Mas o que fazer quando se trata de amor e de diferentes naturezas? Pior, o que fazer quando se entende a racionalidade das coisas, mas isso não é suficiente para não senti-las se esvaindo?

sábado, 11 de dezembro de 2010

Futuro do pretérito do indicativo

 
"Sofre horrores, mas continua do bem...sempre inventando histórias com final feliz."

Estaria ansiosíssima. Minhas mãos suariam. Meu coração estaria naquele batuque de vários ritmos. E sorriria ‘bobamente’ (eu invento palavras. Essa parte é presente do indicativo). Estaria feliz. Meus pezinhos balançariam o tempo inteiro. Aquela velhinha iria notar e dizer que eu era nervosa. Seria o melhor nervosismo do mundo.

Chegaria feliz. Rezaria (pra quem?) pra que a mala chegasse logo, logo. E correria disfarçadamente, com passos ligeiros. E, ao te ver, meu sorriso não caberia em mim (dessa parte, eu tenho certeza absoluta). E teria uma vontade absurda de vomitar meu coração de tão pela boca que ele estaria.

E te abraçaria muito e forte, de forma a conter toda a minha felicidade num encontro de braços e costas e peitos. Dar-te-ia um beijo na bochecha demorado e nele depositaria todo o meu carinho contido. Respiraria fundo pra colocar meu coração em seu lugar devido (saia da minha boca já!) e te sorriria sempre (este eu não sei controlar).

Morderia meus lábios sorrindo, do meu jeito nervoso. E deixaria que o que tivesse de acontecer, acontecesse, sem medidas, como uma criança que, ao pegar na mão adulta, confiaria e se deixaria levar.

Este seria meu final feliz inventado. Seria, conjugado no futuro do pretérito do indicativo, como os demais verbos. A minha realidade, porém, é o não ser, a angústia do não saber e do não mais querer. Minha felicidade inventada era tão melhor que minha crua realidade. Não ser é vazio. Não saber é torturante. Não mais querer é a morte de tudo.

Fecha-se o livro do conto romântico e encara-se a vida e suas incontáveis possibilidades. Tudo o mais, não me importa mais.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Não sei se tinha o direito de fazer isso, mas qualquer coisa postada em seu lugar, não faria o menor sentido. Recebi hoje de uma pessoa querida, @alyson_vilela, achei genial, me emocionei (por ser besta e por apreciar coisas boas) e foi o perfeito encaixe no fim do dia.

     Quem é você?

Quem neste amontoado
de belas lembranças
de bonanças
e de lembranças tortas
que tanto me importa
reconhecer?
                          
Quem é você
que um dia alvoroçado
conheci aberta
pouco alerta
e agora desconfias
na rigidez fria
do não saber?

Quem está aí
que eu não tenha encontrado
na primeira vista
da conquista
Que agora se recusa
por via confusa
a se me abrir?

    Que tem na errata
que não me fora dado
Que num curto instante
delirante
Surgiu em meio ao nada
Deixando parada
a passeata?

Que tens pra nós
que eu não tenha alcançado
Que me possas dar
no lugar
que quedou-se vazio
Tirou do rocio
a doce voz?

Que tens? Que não?
Que me dês de recado
para que eu descubra
na penumbra
dos teus loucos anseios
Que atrás desses seios
há um coração?

    Que faço pois
para que deste enfado
sobrevenha melhor
e maior
encanto de renovo
Para que de novo
sejamos dois?

Quem vens a ser
que eu não tenha aceitado?
Abre pra mim teu peito
e eu te aceito
Não importa o que eu não sei
Eu te aceitarei
Sempre que me diga
quem é você.

www.twitter.com/alyson_vilela

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Das derrotas.

Vamos lá falar do que mais arranha meu coração no momento. Até já postei hoje e fui obrigada a deletar, porque me senti completamente imbecil de me incomodar com certas coisas minúsculas depois das 17hs do dia de hoje.

Primeiramente, é hora de crescer. Não sou acostumada a reprovações. Não que eu seja um super gênio, super inteligente, super esforçada. Nunca fui. Sou um paradoxo. Responsável na minha irresponsabilidade. Tipo assim, deixo tudo pra última hora, mas faço.

Pouco me importa o alto índice de reprovação, muito menos que eu não tenha estudado pra poder fazer uma monografia. Eu poderia estar no índice mínimo de aprovação e ter feito uma monografia de gente normal, com duração de mais de um mês.

E aí, humildemente, reconheço minha fraqueza. É hora de parar de ser menina e ter atitudes de mulher. Fracassar doi e muito. Parece que todas as coisas recém-conquistadas de nada valeram. Mais ou menos como aquela música que diz que das brigas que se ganha, nada se leva; e das brigas que se perde, nunca se esquece.

Esta porrada eu levarei comigo por um bom tempo. Assim como todas as perdas. O lado positivo é colocar os pés no chão, focar no que realmente importa, assumir os erros da irresponsabilidade, tentar de novo e de forma decente. Aprendendo que as coisas que valem a pena custam e muito.

sábado, 27 de novembro de 2010

Leão ferido.

“Como é beijar alguém pensando em outro?”. É horrível. E é assim como me sinto, horrível. Não pelo beijo, muito menos pelo alguém, menos ainda pelo outro, mas por mim.

Leonina que sou, ainda que meio fajuta, gosto da majestade do meu signo. Não tenho essa realeza toda, nem ganância de tê-la. Nunca tive a vaidade de querer ser grande aos olhos dos outros. Prefiro ficar quieta, observando, com meus próprios olhos (grandes), o mundo e seu inferno astral.

O que me atrai mesmo é a figura do leão. Sua imponência, suas formas, sua grandeza. Leão me passa sabedoria. Eles são quietinhos, já notaram? Brincam com seus semelhantes, passam tempos deitados e vagam. A fúria e a força que lhes foram atribuídos emanam de sua essência, do que eles precisam pra sobreviver. Instinto.

Nesse contexto, cabe aqui dizer que eu não acredito em signos e derivados. Mas, já que a gente não nasce sem um, gosto de ser de leão e invejo aqueles que nele se encaixam. Quem me conhece sabe, passo longe!

Então venho aqui dizer que me fiz de leão. Eu não mereço meu signo e sua grandeza. Ainda assim, já que nele eu nasci, decidi ser leão. Assim mesmo, como quem decide pão de caixa ao invés de pão francês. Sou, agora, leão em todas as pequenas coisas, em gestos simples.

E aí vocês me perguntam: sim, e o beijo? Leonina reinventada que sou, eu respondo que beijar alguém pensando em outro é uma grande merda. Mas o que me incomoda mesmo não é o beijo, somos filhos de uma geração que dá beijos insignificantes aqui ou ali.  

O incômodo vem da sensação de meter os pés pelas mãos. Nos últimos dois meses, dei um tropeço no meu projeto autocontrole e me deixei levar por uma coisa que não sei se inventei ou se sinto dessa forma tão avassaladora mesmo. Seja como for, declaro hoje, pós-beijo, que eu não vou me acostumar. Recolho meus cacos perdidos e os junto de novo, um por um.

Não venham aqui criticar meu autocontrole. Algumas vezes na vida a gente precisa não ser impulsiva, não se jogar de cabeça. Fiz isso sempre. Agora não quero mais. Quando me sentir segura e quando for uma coisa natural e recíproca, prometo ser menos leonina. Agora mesmo, fico aqui, filhote de leão com um coração apaixonado (ou inventado?), porém leão. Quero ser protagonista da minha própria história, e não me meter em histórias que não me pertencem.

Assim, pego meu coração machucado, mais pela vida mesmo, não pelo contexto atual, e coloco numa caixinha. Ela é simples de ser aberta. Bem simples. E assim será, só que na hora certa.

“Pri, cuida do teu coração”. Cuido, amigo, prometo!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Desencontros.

“Peço desculpa porque além de contar os fatos também adivinho e o que adivinho aqui escrevo, escrivã que sou por fatalidade. Eu adivinho a realidade.”

Maria gostava de João, que tinha Luísa, mas gostava de Amanda. Com o tempo, Maria se apaixona por Pedro, que também se apaixona por Maria, mas ama Larissa. Acontece que João e Pedro são amigos.

Maria, Pedro e João estão num evento social há muito esperado. O que não se esperava, porém, era o desenrolar desta história. Maria dilacera o coração de Pedro, que não sabe mais o que fazer pra segurar tanto desejo por ela, e João entra num surto de ciúme.

Mas João não gostava de Amanda e tinha Luísa? E Pedro não ama e tem Larissa? Que confusão! É que gente que é gente, assim, humana mesmo, gosta de confusão.

Maria é a rainha da cocada preta mais plebeia que existe, pois nenhum de seus súditos pode ter. João, que poderia ter tido Maria, agora sofre por não ter. E Pedro vive a angústia de querer agarrar Maria loucamente, mas se segura porque tem e ama Larissa.

Historinha esquisita de dia-a-dia. Acontece. Eu conheço diversas Marias e Joãos e Pedros. Não nomeio os bois pra não causar tumulto. E porque, infelizmente, um dia se é Maria, outro se é João, outro se é Pedro...

“Às vezes me dá enjoo de gente. Depois passa e fico de novo toda curiosa e atenta.”