segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Apagar de velinhas

     Eu queria me sentar e escrever milhares de coisas. Mas, como me expressar se o que sinto é um turbilhão de idéias e sentimentos e coisas? Ocorre que hoje é aniversário. Não, não é o meu. É que até defini-lo é complexo. Mas tento, porque ele merece enfim...

    Sabe aquela sensação de incredulidade misturada com euforia, misturada com timidez, misturada com uma vontade louca de gritar? Foi assim que eu o conheci. Uma coisa inesperada e, pra mim, surreal. 
         
   Sei que ele me apareceu. Como quem não quer nada, como quem pede licença só pra passar. De repente, ele se transformou em indicação de filme. Depois, ele me lia. Lia todas as linhas que eu escrevia. Depois, era troca de impressões. Não mais sobre filme, mas sobre a vida, sobre sentimento, sobre medo, sobre dor, sobre filosofias várias. Depois, virou uma narração dos episódios que perdi de Lost, por estar vivendo Elizabeth Gilbert na Europa. Depois, virou tanta coisa que prefiro deixar sem definição.
         
   Pra que me entendam, falo de olhos vivos e brilhantes. Um homem-menino. Uma criatura cheia de sonhos e admiravelmente sensível às coisas da vida. Falo de amor em forma de gente.
         
   E assim ele permaneceu. Até quando não sabia o que acontecia, as palavras dele se encaixavam e faziam todo sentido. Como um anjo, que chega na hora certa e diz: “ei, menina, acorda!”. Mas, bem humanamente mesmo, como em Magnólia, somos vidas que se cruzam e que se dizem: “não é por acaso!”.
         
   Queridíssimo amigo, te presenteio com as cores de Embriagado de Amor. Brindo teu dia e nosso bendito encontro, ao som de “save me”, de Nina Simone, de Walter Franco. Torço pra que, pelo menos um dia, como em Antes do Amanhecer, a gente se encontre de verdade, pra que eu possa te dar um abraço de obrigada por tantas coisas inominadas e verdadeiramente especiais.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Cabine Coletiva

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Eis a minha participação relâmpago no Cabine Coletiva, do site Cabine Celular, do meu queridíssimo amigo Mau Saldanha. Apareço duas vezes. Tinha mil coisas pra falar, mas tava com o tempo apertadinho, na correria.

Espero que gostem!


terça-feira, 3 de agosto de 2010

Reflexões desimportantes

Enquanto se espera na desorganização do 4º JEC, no meio da manhã, sem nada pra fazer, reflete-se abobrinhas:

Era uma vez uma pessoa cansada. Um belo dia, esta pessoa resolveu jogar tudo para o ar. Assim, meio Elizabeth Gilbert (Comer, rezar, amar). Adeus, emprego! Adeus, namorado! Porém, diferentemente de Liz Gilbert, aqui foi uma pseudo-mudança-de-vida. Muda-se, mas sem sair do lugar.

Esta pessoa sou eu, que busco não sei o quê, não sei onde. Sei que o engraçado é me ver numa vida jurídica quase 24hs por dia. Até dormindo me vem prazo, hora, obrigações, pessoas. Busquei outrora a sala de aula para fugir da sala de audiências. E, hoje, não saio de uma dessas.

Quanto ao namorado, alguém me explica o que diabos vai me aquietar? Não quero ser sozinha, sou bem melhor quando ganho beijinhos, mensagens de texto e muito, muito carinho. Sou uma namorada tão legal, todo mundo sempre disse isso. Acho que o que me cansa é a confusão namoro-prisão. Sejamos livres, amantes, amigos e complementos! Mania feia de tanta posse e egoísmo!

No mais, sei lá aonde é que a vida vai me levar. Ando um passo de cada vez, não me atropelo mais. O futuro, ainda que próximo (o amanhã literal mesmo), é preto, como a pasta que usei como encosto para rabiscar estas palavras. E, enquanto meu futuro amor devastador não chega, vou me divertindo com algumas figuras folclóricas que aparecem com papinho, com jeitinho, com coincidências, com sorrisos infantis, com carinhos insuficientes.

É que o coração é exigente e mais durão que Rocky Balboa. Vamos ver quem será homem bastante pra me fazer escrever um texto apaixonado, meloso e irritante. Quem não for, entre na fila pra ser implicitamente citado num texto qualquer, enquanto se espera o pregão da audiência das 9hs40min do 4º Juizado Especial Cível da Capital.

PS: Tem namorada? É noivo? É CASADO? Procure a autora do blog da esquina e se toque!

PS2: Não foi bem um pregão. No 4º JEC a coisa funciona na base do grito mesmo. "BANCO GMAAAAAC". Tchau.


"Não, eu não sambo mais em vão
O meu samba tem cordão
O meu bloco tem sem ter e ainda assim
Sambo bem à dois por mim
Bambo e só, mas sambo, sim"

sexta-feira, 30 de julho de 2010

De volta pra casa

Eu consegui. Poderia narrar a cena, mas descobri que as pessoas me lêem (não é, Bruno?). O importante é que eu consegui. Nunca, em 21 anos de idade, eu tinha encarado alguém. Nunca tinha tomado qualquer iniciativa. Palmas pra mim que conheci e usei a tal da cara-de-pau! Pena que essa danada não durou pra sempre. Mas já valeu. Palmas pra vodka que não me fez vomitar até minhas tripas depois! E palmas pra todas as viagens do mundo, que abrem nossos olhos e nos fazem viver mais! No mais, não abandonei isso aqui. Continuo psicopateando na vida. Só que com menos dores e menos tempo de escrever.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Lacuna

"Saudade é amor que fica."

Eu procuro me lembrar de como era barulhenta minha casa. As portas começavam a bater cedo. As vozes soavam altas. Muitas vezes eram gritos. E me lembro de barulho de louça, de talher roçando nos pratos e de copos sendo encostados à mesa. Havia também o arrastar de cadeiras. Era muita gente, muito barulho, muita agitação.

À tarde, era praticamente impossível estudar. Meu irmão chegava e já ia ligando o Playstation nas alturas (“segue passando a bola com categoria”). Minha irmã não sabe chegar calada e não fecha as portas, bate-as.


Impossível, também, era ter uma sintonia de humor. Sempre tinha alguém estressado. E sempre tinha brigas. Mas sempre tinha brincadeiras também. E eu sinto falta desse sempre. De todos os sempres.

De um por um, a casa foi se esvaziando. Junto com as pessoas, foram-se o bom humor, o companheirismo e a alegria. E, se existe um Deus, Ele sabe o tamanho da falta que toda essa confusão me faz. Sempre fui mesmo muito feliz no meu quarto pequeno e adaptado, porque não era pra ser quarto. Sim, todo dia me acordavam com barulho. E sim, eu era meio estressada e impaciente. Mas o silêncio me mata. E eu queria gritar. E eu não posso gritar.

Então, sento-me, respiro e escrevo. Pra que eu vomite em palavras o que não consegui comer o dia todo. Pra que eu possa dar vida a uma casa que não tem mais som. E pra que, pelo menos, as pessoas saibam que eu sinto a falta delas. Mais do que posso falar e muito mais do que sou capaz de expressar.

sábado, 3 de julho de 2010

Cenas do mesmo capítulo

A gente tá sentado numa mesa de um restaurante lindo e romântico. Os garçons nos tratam como um casal. O restaurante inteiro nos olha como um casal. Na mesa vizinha, aquele amigo do meu amigo está com uma menina, que eu não sei se é a oficial ou mais uma coitada que cai nas mentiras dele, e ele nos olha embasbacado, como um casal. E sei que deve ter pensado “essa aí é quenga, viu? Dia desses, tava com o meu amigo”. Na outra mesa, uma família com um monte de menininhas bonitinhas. Elas acham um absurdo notar que ele as paquera, porque elas nos olham como um casal. Na volta do banheiro, minha tia se estica toda pra ver com quem estou, e tenho certeza de que pensou “huuummmmmm”, como se fôssemos um casal.

Mas nem somos. Somos melhores que o amigo do meu amigo que está com mais uma menininha diferente. Somos melhores que os pais das menininhas paqueradas da mesa vizinha. Somos melhores que a minha tia e seu namorado. Somos dois amigos mesmo.

Aí ele me olha com aquela cara de “de novo?! Mas você não aprende nunca?!”. Eu rio, rio muito. De novo, amigo. Eu falo 35628 horas de mim, ele resume o drama dele em meia-horinha. E é assim. O tempo passa, as pessoas passam e a gente é assim. Admitamos, amigo, você continua aquela pessoa controladora dos sentimentos e eu a guiada por eles. Você não me entende. Eu tampouco tento entender como é que uma pessoa se tolha das coisas que sente em troca de controle.

Aí ele analisa. Acho interessante a forma como diz que eu não me encaixo em estereótipos. Eu sou a mulherzinha que pensa demais e é cheia de paranoias. Mas também sou o cabra macho que não precisa de romance. Mas também adoro um romance. Mas também desiludo fácil, fácil. Mas também sofro pra caralho. Mas também é por pouco tempo. E por aí vai.

Depois eu rebato o jeito dele de ser. Minha vez de dizer que hei de ver o dia em que uma mulher vai quebrar as suas pernas, vai deixá-lo tão fora de controle que ele nem saberá o que é sentimento e o que é pensamento. Os dois serão as duas coisas numa só. E eu vou rir muito, porque vou achar bonitinho o seu desespero de mulherzinha. E todo mundo tem um lado mulherzinha. E ele tem que admitir!

Depois chega aquela parte de falar dos outros. Lembra daquela menina que pagava de santinha e todo mundo era doido por ela? Pois bem, eu não quero saber mais dela. Lembra daquele nosso amigo que era massa e todo diferente? Pois bem, foi embora. Lembra daquela outra que falava de todo mundo? Tá grávida. Sempre tem uma grávida.

E, depois, tome drama pessoal.

O cenário do restaurante vai se desmontando. Aposta quanto que o amigo do meu amigo foi pra um motel com a menina que eu não sei quem é? Duvida de que o casal, pai das menininhas bonitinhas da mesa vizinha, chegou em casa, colocou o velho pijamão e ficou cada um na solidão? Sabe que a minha tia já ta espalhando que me viu de namoradinho no restaurante, né? E os garçons, que nunca viram tanta modernidade nas conversas do casal?! Na hora de deixar nossas bebidas, haja conversa sem pé nem cabeça.

Quero brindar ao melhor tipo de saída do mundo. Um brinde a nós que, juntos, não ligamos pra nada e não saímos de um restaurante pra fazer coisas óbvias! Por favor, garçom, pare de me olhar esquisito e me traga uma coca, sem limão e com muito gelo.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Conversa de botas batidas






Veja você, onde é que o barco foi desaguar
A gente só queria um amor
Deus parece às vezes se esquecer
Ai, não fala isso, por favor
Esse é só o começo do fim da nossa vida
Deixa chegar o sonho, prepara uma avenida
Que a gente vai passar


Veja você, onde é que tudo foi desabar
A gente corre pra se esconder
E se amar, se amar até o fim
Sem saber que o fim já vai chegar
Deixa o moço bater
Que eu cansei da nossa fuga
Já não vejo motivos
Pra um amor de tantas rugas
Não ter o seu lugar


Abre a janela agora
Deixa que o sol te veja
É só lembrar que o amor é tão maior
Que estamos sós no céu
Abre as cortinas pra mim
Que eu não me escondo de ninguém
O amor já desvendou nosso lugar
E agora está de bem


Deixa o moço bater
Que eu cansei da nossa fuga
Já não vejo motivos
Pra um amor de tantas rugas
Não ter o seu lugar


Diz, quem é maior que o amor?
Me abraça forte agora, que é chegada a nossa hora
Vem, vamos além
Vão dizer, que a vida é passageira
Sem notar que a nossa estrela vai cair