terça-feira, 3 de maio de 2011

Oi, tudo bem?

Tenho um amigo que detesta essa pergunta. Com sapiência, diz que nunca nada pode estar completamente bem.

De fato. Comecemos por nós mesmos. Sempre tem um quilinho a mais, uma espinha ali, uma estria acolá. Os cabelos são lisos, acha lindo uns cachinhos. Os cabelos são cacheados, progressiva neles. Peitos pequenos, silicone. Peitos grandes, redução. Por aí vai.

Deixando o espelho imaginário de lado, e nossas pretensões? Eu queria ter aquilo, ser aquilo, andar daquilo, conhecer aquilo, fazer aquilo, dizer aquilo. Sempre falta uma coisinha. Sempre existe uma saudade, um arrependimento, uma coisa a comprar, pazes a fazer, verdades a serem ditas.

O dinheiro nunca é suficiente. A família é cheia de defeitos. Aquele amigo te “esquece”. Quem é essa que tá na foto sorridente ao lado do ex? E a professora mal amada? E o patrão explorador?

A verdade é que quando tudo ia mal, resolvi inventar um blog pra inventar umas mentiras em situações verdadeiras e verdades disfarçadas em acontecimentos inexistentes. Ou tudo mentira. Ou tudo verdade.

Inventando-me, dentro e fora das escritas, redescobri o amor. Conheci pessoas. Viajei horrores. Terminei um curso. Desisti de coisas que imaginava serem importantes e, no final, nem eram. Enfrentei preconceitos e escolhi fazer a arte que eu sempre amei.

A família vai bem, a saúde vai bem, o escritório vai bem, os amigos vão bem. Marcelo Camelo diria: “É, morena, tá tudo bem”.

E por que, então, hoje, eu me sinto um pouquinho triste? Uma tristeza tão calada, tão íntima e impregnada. Ando meio blasée, ironizando coisas aqui dentro, silenciosamente. Pensativa.

“Tá tudo bem, mas não tá, sabe como é?” Não, não cola. Sempre tem alguém que é feliz demais pra dizer que não sabe como é. “Tá tudo médio”. Médio?! Como assim?! Na escala de zero a dez, tá tudo ali ó... médio. Melhor não. “Tá tudo mais ou menos”. Aí vou ter que explicar o que tá mais e o que tá menos.

Quer saber? “Tudo, e você?”.                                  



PS: O blog fez 1 ano em abril e eu nem tive a decência de agradecer a quem lê e comenta. Recebo comentários via facebook, twitter, MSN e ao vivo. Guardo todos eles com muito carinho na memória. Os mais especiais estão aqui escritos. Poxa, que legal saber que tem gente que lê, faz login, comenta, vê o rascunho e aperta o botãozinho de enviar comentário! :) A todos, obrigada de coração.  

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