quarta-feira, 28 de abril de 2010
Em meio aos acontecimentos semanais, eu me aconteço
Eu queria me sentar e escrever sobre outras coisas. Eu tenho muitas coisas pra escrever. Tá aí o menino que tá sendo acusado de matar a namorada grávida. Condenado, antes mesmo da sentença, pela mídia e pela população. Tá aí Dilma achando apoio político em Chávez. Mala elección, Dilma. Mala Mismo. Mas, respeitando meu lado egoísta, eu me sento e escrevo sobre mim.
Acontece que toda fase de transição carrega consigo incertezas várias. É assim que eu me encontro: transitoriamente incerta. Sou praticamente um tropeço no meio das decisões. Desde as mais simples, como o que eu vou fazer hoje, até as mais complexas, como o que eu vou fazer amanhã. O fato é que sempre que se toma uma decisão, por mais simples que seja, as conseqüências se desdobram e a vida vai seguindo ininterrupta, selvagem, sem piedade. Assusta.
Eu sei o que uma parte de mim busca. Eu anseio por isso há muito tempo. Mas o que eu busco não se busca. E cabe a mim no meio dessa pseudo-busca manter a sanidade, encará-la com coragem, não mais abdicá-la. Mais que isso, ser serena. Entender a paciência necessária a uma busca que não se busca.
Trata-se apenas do sentir. Do frio na barriga. De uma certeza absoluta. De ganhar o mundo apenas num abraço. De beijos que atravessem a boca e percorram cada músculo do corpo até chegar ao dedinho do pé. Dessa força que nasce entre duas pessoas inexplicavelmente e faz delas mais que um Alexandre, pois ele quis ganhar o mundo e as duas pessoas já o tem. É sentir menos o mundo nas costas e mais a vida na pele. Ser em toda minha essência, 100%. E ser sem motivo.
Abandonando o velho hábito de pensar. Uma vez me disseram que eu penso demais, sobretudo sobre tudo, até sobre o impensável. Deixando passar. Adaptando-me a mim mesma. Admitindo o tropeço. Deixando que o medo invada. Sentindo desvairadamente cada sensação do respirar. Assim é meu querer sem rumo. E assim é meu respeito a ele: escrevendo cada linha sem censura, sem vergonha, sem propósito. Aquilo que busco, mesmo sem buscar, me basta. Ainda que as pessoas sofram pré-condenações, ainda que Dilma se abrace com Chávez achando que tá fazendo grande coisa.
sábado, 17 de abril de 2010
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Inércia s.f. Estado do que é inerte: a inércia dos corpos inorgânicos. / Fig. Falta de ação; preguiça, indolência, torpor. / Falta de energia moral ou intelectual. / Física. Propriedade que têm os corpos de persistir no estado de repouso (ou de movimento) enquanto não intervém uma força que altere esse estado.
Tenho uma definição melhor: vazio. Nada em frente. Sem luz. Sem vontades. Sem som. Sem cores. Somente vazio. Imobilidade. Chorar é compulsivo. Respirar dói. Falta querer. Falta força. Falta sono. Falta fome. Solidão consciente e conivente. Dor.
domingo, 11 de abril de 2010
"O que vai ficar na fotografia são os laços invisíveis que havia"
Eu, ainda deitada, ouvi o bater da porta da casa e esperei. Sabia que ele iria chegar, cedo ou tarde. E esperei. Pensei baixinho: ele vem, ele tem que vir. Mas um minuto se passou. 5 minutos. 10 minutos. Mas ele vem! E veio. A porta do quarto foi aberta inesperadamente e escancarada com força. E ele pulou em cima de mim, me agarrou com todas as forças e gritou: "Priii, cheguei! Eu te amo!!!". Ele tá enorme! Mais moreno que nunca, a voz mais grave, já me passou em altura há muito tempo (sei que não é difícil, mas ele era tão pequenininho...). Os beijos que ganhei foram incontáveis, como sempre. Ufa! "Pri, me ajuda a estudar história". Ele ainda quer ouvir minha interpretação maluca dos fatos históricos. Ufa! Na hora do almoço, vão dois carros. "Mãe, vou com Pri". Ainda parceiros, piloto e co-piloto, somos nós. Alívio! "Pri, tu dirige perfeitamente". Na hora da música mostrei o novo vício. "Eita, Pri, essa música é massa! Não é aquela do tanram tanranram taram taram taram taram tam?". Ela mesma! Ponto pra nós! Nossos pratos são os mesmos. Andamos de mãos dadas e rimos mais apaixonadamente que qualquer casal. E somos um casal. Agarrados como um bem-casado, o preto e o branco. Até que o dia acaba. E eu sou obrigada a escutar: "Pri, tô indo. Eu te amo".
Um dia eu vi que ele tinha escrito numa foto nossa "Pri é um exemplo de tanta coisa". E hoje eu digo a ele, embaixo de uma foto nossa: Nando, obrigada por não mudar no meio de tanta mudança. Mudam-se os lares, as cores, os rumores, as histórias e os amores. Muda-se o blog, como este. Recomeça-se. Vai-se embora. Mas a essência fica. Ainda bem.
